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A vida de mulheres imigrantes latino-americanas na cidade de São Paulo

SELENE PIOLI

La Paz, Bolívia

Alessandra Selene Pinto Oliveira tem 35 anos e nasceu na cidade de La Paz, na Bolívia. Ela veio para São Paulo no final de 2017 para ficar com o namorado paulistano, que conheceu pela internet. E Selene teve uma adorável surpresa. “Eu me apaixonei por essa cidade. Mais do que por ele.”

Selene adora ouvir músicas de rock e heavy metal, e ir aos shows das suas bandas favoritas. Quando viu a quantidade de apresentações que acontecem aqui em São Paulo, ficou mais fascinada ainda pela cidade. “Em lugares como meu país, às vezes o acesso à cultura não é tão grande como aqui em São Paulo. São Paulo tem muita atividade o tempo todo. Eu sempre fui uma pessoa muito inquieta, de fazer muitas coisas. Então eu adorei todas as vantagens dessa cidade tão movimentada. Tem muita coisa para fazer e eu adoro esse ritmo.”

 

Inicialmente, Selene ficou quatro meses aqui em São Paulo. Voltou para La Paz depois que seu relacionamento com o brasileiro não deu certo. Mas não demorou muito para decidir retornar.

A diversidade de pessoas e de culturas na cidade fez Selene sentir-se extremamente acolhida. Aqui, ela se reencontrou e se reinventou: “Às vezes, eu me sentia um pouco estranha na minha sociedade. Mas aqui tem tantas pessoas diferentes, e você acaba sendo só mais uma. Eu adorei poder me encontrar tranquila e feliz, e ser quem eu sou aqui em São Paulo.”

 

Aqui em São Paulo, Selene conheceu um novo namorado, Rafael Madrid. E com ele, teve a oportunidade de desbravar ainda mais a cidade. “Ele conheceu muita coisa nova comigo. Eu, sendo estrangeira, consegui mostrar para ele alguns lugares que eu adoro. Juntos, nós conseguimos explorar muito a cidade, e temos os mesmos gostos, adoramos as mesmas coisas, a mesma música, vamos juntos para shows.”

 

Selene trabalha como freelancer e faz várias atividades diferentes ao mesmo tempo. Dá aulas de espanhol, inglês e marketing pela internet.

 

Quando ainda morava na Bolívia, começou a gravar lives no facebook, contando histórias de mitologias e lendas, e dessa forma, ganhou algumas centenas de fãs nas redes sociais. No instagram, ela faz vídeos sobre maquiagens, compartilha sua rotina de shows de rock pela cidade, entre outras coisas, com seus 20.000 seguidores.

diferenças culturais


Como qualquer migrante, Selene teve que se adaptar as diferenças culturais que encontrou aqui. Para ela, os brasileiros são pessoas muito amigáveis e prestativas, principalmente se você precisa de ajuda. Selene gosta muito de sair e conhecer pessoas. Ela tem vários amigos bolivianos que moram em São Paulo e, assim como ela, eles amam a cidade e são muito felizes aqui. Selene adora sair com eles porque juntos, conseguem enxergar e admirar a cidade.

 

 

Outro aspecto positivo de São Paulo para Selene é a modernidade e os avanços tecnológicos constantes, que facilitam e simplificam a vida das pessoas. Na Bolívia, ela diz que os processos são mais analógicos e manuais.

 

“Aqui vocês têm tudo digital. Lá não temos esse avanço tecnológico. Para mim foi uma loucura na primeira vez que eu vim, estar caminhando em uma feira e que as pessoas conseguem pagar com cartão de crédito. Porque na Bolívia, ainda não é assim. As pessoas costumam andar com dinheiro. Normalmente, lá você não consegue fazer nada com cartões. A gente não tem aplicativos para fazer transferência bancária também. Eu não tinha ideia que dava pra fazer tanta coisa pelo celular. Para mim, foi muito tecnológico no início. Eu me sinto no futuro.”
 

Mas Selene também se surpreendeu com uma triste realidade da sua cidade querida:  a quantidade de moradores de rua. Ela não estava acostumada a conviver com isso na Bolivia. Lidar com esse tema é algo desconfortável para Selene e a deixa um pouco confusa, pois não sabe como reagir a essa realidade.
 

saudades

 

Apesar de amar a vida agitada e louca em São Paulo, Selene sente falta de algumas coisas do seu país. A boliviana afirma que La Paz é um lugar mais seguro. Por exemplo, lá ela consegue caminhar de madrugada pelas ruas do centro da cidade sem medo. “Quando você escuta histórias de ladrões e coisas assim, sempre vai ser uma vez, duas vezes no ano e isso vai virar notícia, vai estar em todos os jornais. Lá é bem mais tranqüilo, em comparação com São Paulo.”

 

Selene trabalha com internet e ama as novidades e facilidades tecnológicas de São Paulo. Mas vez em quando, sente a necessidade de se desconectar. E isso pode não ser tão fácil aqui.

 

“Eu tenho saudade da calma e da tranquilidade que tem em La Paz. Aqui sempre tem alguma coisa acontecendo. Eu adoro, mas às vezes, você precisa se desligar, sair disso... e na minha cidade, isso é possível.”

 

A comunidade boliviana e o preconceito

Se pudesse definir são paulo em uma palavra, qual seria?