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A vida de mulheres imigrantes latino-americanas na cidade de São Paulo

MARIANELLA TAPIA

Lima, Peru

Marianella Tapia nasceu em Lima, no Peru. Ela chegou na cidade de São Paulo em janeiro de 2001, logo após se divorciar do seu ex-marido, pai de seus filhos Ana Claudia, na época com 8 anos, e Raul, de 5 anos.

No Peru, Marianella tinha um excelente emprego público no Ministério da Saúde. Sua mãe, que já morava em São Paulo há 10 anos, lhe aconselhou a vir para a cidade e tentar recomeçar uma nova vida com seus dois filhos pequenos. Mari arrumou as malas e veio morar com seus pais. Ao chegar em São Paulo, ficou encantada. Um mundo totalmente novo lhe abria portas.

Educação

Quando decidiu que realmente iria ficar na cidade, uma das primeiras coisas que Marianella fez foi matricular os filhos na escola. E após duas semanas após sua chegada, Ana Claudia e Raul já estavam estudando.

Quando peruana regularizou toda a documentação necessária para morar em São Paulo, começou a se questionar sobre o que poderia fazer aqui. “As crianças estão na escola, mas e eu? Vou fazer o que?” E a resposta veio rápida: "vou estudar". Mari prestou vestibular em uma faculdade aqui em São Paulo e foi aprovada no curso de administração.

Sua nova rotina ficou intensa. Pela manhã, ia para a faculdade, e à tarde, trabalhava. Fazia o que lhe aparecesse. Normalmente, Mari dava aulas de espanhol. Mas também fez faxina e foi até babá. Ela não importava-se com o tipo de trabalho. A prioridade era seus filhos e ela faria qualquer coisa para proporcionar uma vida confortável a eles.

A faculdade foi o espaço em que Mari mergulhou na língua portuguesa. No terceiro ano, ela conseguiu seu primeiro estágio, que a possibilitou mudar-se da casa dos pais para morar sozinha com seus filhos.

Uma das coisas que Marianella mais valoriza é a educação, especialmente a de suas crianças. “Meus pais sempre acreditaram e me ensinaram que a educação é a base de tudo. Agora eu quero o mesmo para os meus filhos, porque é a única herança que eles vão levar para a vida.”

Família

Foi aqui em São Paulo que Marianella conheceu seu atual marido, o também peruano José Osores. Ele trabalha na área administrativa do Centro de Apoio ao Imigrante (CAMI). Em 2008, tiveram sua primeira filha, a Gabriela, que hoje tem 12 anos.

Marianella e seu esposo fazem questão de manter a cultura peruana através da comida. “O almoço é brasileiro, mas a janta sempre é peruana.” O que não pode faltar na mesa é a batata. Mari sente muita falta da variedade de batatas que encontrava no Peru (apesar de conseguir fazer algumas adaptações, para ficarem parecidas com as de lá).

 “Eu não posso falar mal de brasileiro. A gente aprende muitas coisas com vocês.”

Marianella diz que desde o início, foi muito bem acolhida pelos brasileiros, em todos os ambientes que passou. É claro que, algumas vezes, ouvia comentários do tipo: “Você veio para cá roubar nosso emprego.” Mas ela nunca deu muito importância para isso.

Marianella conta que precisou quebrar um paradigma cultural muito forte, pois no Peru, algumas coisas são bem mais conservadoras do que aqui no Brasil. Quando sua filha mais velha, Ana Claudia, começou a ir a escola, estava preocupada pelo fato de ter pais separados. No Peru, ter pais separados não era algo que as crianças se orgulhavam em dizer. Mas quando chegou na escola, a menina viu que havia vários colegas com pais separados. E percebeu que isso não era um problema para se preocupar.

Poema

Em 2016, a filha da Marianella, Ana Claudia, participou do 6° Festival de Música e Poesia do Imigrante em 2017, organizado pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante. Ela escreveu e declamou um poema para a mãe, chamado “Mãe Imigrante”. “Foi uma das melhores maneiras da minha Ana Claudia me mostrar o amor que tem por mim. Eu chorei muito. De Alegria, orgulho, felicidade e muitos sentimentos misturados.”